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Projetos de investimento em Moçambique aprovados em 2014 atingiram 7102 milhões de dólares

3 de março de 2015

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O Centro de Promoção de Investimentos (CPI) de Moçambique aprovou 487 projetos de investimento no valor de 7102 milhões de dólares durante 2014, disse Lourenço Sambo em Maputo o diretor-geral da agência governamental, .

O investimento superou em 2,8 mil milhões de dólares o realizado em 2013 (4224 milhões de dólares), surpreendendo o próprio CPI, que esperava uma retração por parte dos investidores, atendendo ao fato de 2014 ter sido um ano eleitoral e, por isso, “atípico.”

“As nossas expectativas foram superadas, porque estávamos à espera de um decréscimo face a 2013, o que não aconteceu”, disse Lourenço Sambo, associando os resultados à “explosão” do setor de exploração de recursos minerais, sobretudo do carvão, que tem fomentado o desenvolvimento de infra-estruturas, além de vários investimentos nos setores dos transportes e serviços.

Mas, se somado ao montante de 915,3 milhões de dólares resultantes da aprovação de 138 adendas de investimento de projetos anteriores, o valor global dos investimentos realizados através do CPI sobe para 8109 milhões de dólares, salientou ainda Lourenço Sambo.

Ainda que ligeiramente, mas à semelhança de anos anteriores, o investimento direto estrangeiro, que se saldou em mais de 2480 milhões de dólares, foi superior ao nacional, que atingiu 2271 milhões de dólares, tendo, em vários dos 487 projetos, sido registrado o montante acessório de 2350 milhões de dólares referente ao recurso a empréstimos e suprimentos.

Comentando o aumento do investimento nacional, que quase quadruplicou face a 2013 (569,7 milhões de dólares), Lourenço Sambo associou-o a “uma grande campanha” feita no país para a promoção de zonas econômicas especiais, sobretudo a de Nacala, na província de Nampula, que atraiu investimentos “extremamente elevados.”

“Provavelmente, com a criação da zona especial de Mocuba [província da Zambézia] vamos ter outro pólo com grande investimento nacional”, antecipou o diretor-geral do CPI.

Os investimentos estrangeiros, que aumentaram cerca de 908 milhões de dólares comparativamente a 2013 (1363 milhões de dólares), tiveram origem em 45 países, tendo os Emirados Árabes Unidos (891 milhões de dólares), Maurícias (547,1 milhões), África do Sul (380,3 milhões), Portugal (336,4 milhões) e China (72,8 milhões) sido, respectivamente, os cinco maiores investidores.

A lista dos 10 maiores países investidores é completada pelo Reino Unido, com 56,9 milhões de dólares, Macau (27 milhões de dólares), Turquia (21,08 milhões), Quénia (16,01 milhões) e França (13,6 milhões).

Sobre a “interessante” liderança dos Emirados Árabes Unidos e das Maurícias, Lourenço Sambo disse que isso se deve ao fato destes países serem altamente “centros financeiros internacionais”, dadas as suas políticas econômicas típicas dos chamados paraísos fiscais, a partir do qual as empresas fazem investimentos.

“A disponibilidade de dinheiro faz com que muitas empresas procurem o centro financeiro do [emirado do] Dubai. Neste caso, falamos de 16 projetos, entre os quais um de peso, que é o da empresa Vale Moçambique na linha de caminho-de-ferro de Nacala”, adiantou, referindo-se aos investimentos realizados através dos Emirados Árabes Unidos.

Quanto às previsões para 2015, Lourenço Sambo disse esperar um contínuo crescimento no montante de investimentos realizados, não antevendo impactos da crise no setor do petróleo, que pode até “trazer benefícios, com a poupança que a descida dos preços dos combustíveis representa, ajudando ao desenvolvimento de infra-estruturas.”

As cheias que afectaram a região centro e norte do país no início do ano terão “certamente alguns impactos”, de acordo com  CPI, possivelmente com reflexos no crescimento do produto interno bruto, cuja variação pode reduzir-se entre 0,5 pontos base a 1,0 ponto percentual, respectivamente, para 7% ou 6,5%.

Fonte: Adaptada do site MacauHug