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Primeira produção de biocombustível moçambicano vendida à Lufthansa

1 de agosto de 2011

Moçambique acaba de fazer a primeira exportação de óleo de Jatropha através da empresa Sun Biofuels Moçambique, de origem britânica, implantada na província de Manica.

De acordo com o matutino Notícias, o primeiro lote foi constituído por cerca de 30 toneladas do produto tendo como destino o mercado europeu, nomeadamente a empresa de aviação alemã, Lufthansa, que neste momento se encontra a fazer alguns ensaios para o uso de biocombustíveis.

A primeira exportação vem, de alguma maneira, contrariar o ceticismo que vem caracterizando os debates à volta do cultivo da Jatropha, devido a alguns círculos de opinião a questionar a sua viabilidade fundamentalmente devido à escassez de estudos científicos detalhados sobre a matéria, escreveu o Notícias na sua edição do dia 22 de julho de 2011.

O outro argumento contra o cultivo da Jatropha, ainda de acordo com o articulista, era o receio de que se poderia prejudicar as culturas alimentares. Pensava-se e de alguma forma que também que se poderiam diminuir as áreas de pastagem, por se tratar de uma cultura extremamente venenosa.

Sérgio Gouveia, diretor dos assuntos corporativos da Sun Biofuels Moçambique, explicou ao que a sua empresa está bastante entusiasmada com a indústria, por enquanto o mercado internacional é bastante promissor, tendo em conta que a tonelada de biocombustíveis varia atualmente entre 900 e 950 dólares.

Empregando mais de mil trabalhadores para o maneio de três mil hectares, desde a sua entrada em Moçambique aquela firma já investiu nove milhões de dólares, dinheiro investido em estudos e plantações, não existindo até agora a mínima margem de retorno deste montante.

O óleo produzido nos campos da Sun Biofuels em Manica foi cultivado, prensado e filtrado pela Empresa em Gôndola, Distrito de Manica.

Gouveia adiantou que uma das razões da exportação do óleo tem a ver com a falta de capacidade de refinação dentro do país.

No mercado de exportação o óleo será transformado em querosene bio-sintético e utilizado em ensaios na indústria da aviação, onde existe uma crescente consciência do potencial do óleo de Jatropha como uma alternativa verde aos combustíveis de aviação.

Um dos fatores que encorajam a empresa a investir na produção dos biocombustíveis tem a ver com as suas vantagens ambientais. J que o uso do produto acabado, contribui para a diminuição drástica das emissões de dióxido de carbono.

Outra vantagem da jatropha reside no facto de a partir do bagaço que constitui o resíduo da extracção de óleo se podem produzir fertilizantes, rações e energia calorífica para diversos fins. Esta é, alias, uma das propostas de investimentos da Sun Biofuels Moçambique.

Estudos citados por Sérgio Gouveia indicam que em cada cem quilos de semente de jatropha se podem produzir pelo menos 35 litros de óleo, uma quantidade que pode variar de acordo com a variedade em causa.

Fomento não está posta de lado

O fomento da cultura de Jatropha no seio dos camponeses é algo que não está fora das pretensões da Sun Biofuels Moçambique como forma de assegurar a disponibilidade de matéria-prima, enquanto não se concretizam os planos de expansão das áreas de cultivo que devem atingir 11 mil hectares nos próximos tempos.

Todavia, Sérgio Gouveia reconhece tratar-se de uma matéria bastante complexa, devendo ser antecedido de um trabalho muito aturado de sensibilização junto das comunidades.

“É preciso muito trabalho para convencer os camponeses de que com Jatropha se pode ganhar dinheiro, porque o mercado internacional é bastante promissor, dada a volatilidade dos preços de petróleo”, referiu Sérgio Gouveia, uma das pessoas que nos últimos anos muito se tem batido sobre a Jatropha.

Considera de desprovidos de rigor científico as alegações de que o cultivo da Jatropha poderiam afetar a segurança alimentar, por acreditar que com a venda da semente ou de óleo se ganha dinheiro que pode ser aplicado na compra de comida.

 

Fonte: Adaptação Club of Moçambique