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Moçambique anuncia Revolução Verde para Corredor de Beira

18 de agosto de 2011

O Governo moçambicano e a Aliança para a Revolução Verde na África (AGRA) lançaram o plano de investimento do corredor de Beira, que tem por objetivo potenciar os pequenos agricultores e tirar o país da constante insegurança alimentar.

O instrumento lançado na Beira, no centro de Moçambique, quer transformar a agricultura de pequena escala em comercial, além de abrir espaço para que os camponeses tenham acesso a sementes melhoradas, fertilizantes adequados e a preços acessíveis, mercados lucrativos, financiamento acessível e políticas agrárias adequadas.

“A nossa meta é dobrar o uso de sementes melhoradas certificadas (atualmente 20% dos agricultores moçambicanos usam sementes melhoradas) e aumentar o uso de fertilizantes (hoje em dia 10% usam) pelos pequenos agricultores para pelo menos 50 quilos por hectare até 2020. Assim, vamos reverter o cenário da agricultura no continente”, disse Namanga Ngongi, presidente da organização não-governamental AGRA.

Segundo a fonte, os Governos africanos gastam em média 33 bilhões de dólares anualmente na importação de 43 milhões de toneladas de bens alimentares. Estes números podem crescer exponencialmente com a baixa produção interna e a alta dos preços globais de alimentos.

“Temos uma responsabilidade coletiva de reverter a situação, cujas consequências são inúmeras, incluindo distúrbios civis, como foram testemunhados recentemente em muitos países africanos”, explicou o nigeriano Namanga Ngongi.

O Corredor de Beira é a porta de entrada para o sudeste africano com todas as condições de agricultura de sucesso, mas cujo potencial continua inexplorado.

Dos 10 milhões de hectares de terra arável, menos de 0,3% está sendo usada de forma comercial, o que mantém a população inteiramente dependente da agricultura de subsistência. “Temos tudo para parar com a importação de comida nos próximos anos”, garantiu António Limbau, vice-ministro moçambicano da Agricultura.

Para assegurar os melhores resultados, quatro empresas nacionais de sementes foram apoiadas pela AGRA, para juntas produzirem 2.249 toneladas de sementes.

Quanto aos fertilizantes, que constituem uma grande limitação para o uso dos  pequenos agricultores, devido ao elevado custo, a AGRA vai lançar uma campanha de lobby para reduzir os custos até 15% em 2015.

Espera-se que, nos próximos 30 anos, 190 mil hectares de terras tenham sistema de irrigação, 200 mil agricultores tenham acesso a financiamento, sejam criados 350 mil novos empregos, e que pelo menos 150 comunidades junto dos campos agrários beneficiem de energia e água potável, tirando da pobreza absoluta cerca de 1 milhão de moçambicanos.

A implementação da estratégia do corredor de Beira está orçada em 320 milhões de dólares, para os próximos cinco anos, sendo que 10% do valor já está disponível para apoiar a cadeia de valor dos agricultores.

Fonte : Adaptação Club of Mozambique