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Matola consolida-se como maior parque industrial do país

24 de maio de 2011

 

 

Mais de 500 milhões de dólares norte-americanos foram orientados nos últimos oito meses para financiar cinquenta projetos empresariais na cidade da Matola, o já resultou a criação de pelo menos dois mil empregos. Para o edil da cidade, Arão Nhancale, trata-se de números que refletem a crescente apetência do empresariado, nacional e estrangeiro, pelas excelentes condições que o município oferece como destino de negócios.

Na sua comunicação ao III Fórum Empresarial da Matola realizado ontem naquela cidade, Nhancale apontou como exemplos desses investimentos, o projeto de construção de dez mil casas para jovens e funcionários públicos, num investimento de 200 milhões de dólares; a instalação, já em curso, de um parque industrial na zona do Língamo, num investimento de três milhões de dólares de capitais luso-moçambicanos; o projeto de uma unidade de produção de equipamentos de construção civil e mobiliário no valor de 15 milhões de dólares, e a construção de um complexo composto por um hotel e centro comercial na zona da Machava num investimento estimado de 2,5 milhões de dólares norte americanos.

Outros projetos de relevância, segundo Nhancale, têm a ver com a implantação de uma fábrica de montagem de viaturas em Machava, e a construção daquela que deverá ser a maior unidade de produção da multinacional Coca Cola a nível da região austral da África, para cuja implantação o Município da Matola já aprovou a concessão de uma área de 20 hectares em seu território foral.

Considerando que Matola tem tudo para se assumir como um destino preferencial de investimentos de qualidade em Moçambique, ele referiu-se ainda a ideias em consolidação que apontam para a construção de uma linha de ligação por metro entre as cidades de Maputo e Matola, a ligação entre as estradas nacionais números 1 e 4 através de uma estrada com portagem, entre outras iniciativas que, segundo ele, têm tudo para se tornarem devido a maturidade e clareza que vêm sendo provadas tanto pelo empresariado como pelas próprias autoridades municipais.

O antigo primeiro-ministro moçambicano, Mário Machungo, foi um dos quatro oradores convidados ao III Fórum empresarial de Matola, tendo dissertado em torno da pobreza urbana e desenvolvimento, numa apresentação que vincou a necessidade de investir cada vez mais na organização para se acabar com a improvisação como “modus operandi”. Para Machungo, o combate à pobreza urbana exige a existência de um plano municipal que tenha suficiente autonomia de implementação.

Segundo ele, o combate à pobreza urbana, que faz eco das prioridades atuais do Governo, requer planificação, descentralização, organização da produção envolvendo pessoas com habilidades em artes e ofícios, e o estabelecimento de parques industriais. Tal, de acordo com Machungo, precisa ser feito com urgência e com a responsabilidade que se impõem, considerando os cenários do futuro que apontam para um crescimento da população urbana nos próximos tempos, havendo, para o caso da Matola, projeções de que a mesma cresça a uma taxa anual de 4,17 %, podendo atingir 850 mil habitantes em 2015, contra os cerca de 766 mil atualmente recenseados.

Um dos desafios lançados por Machungo no âmbito do combate à pobreza urbana em Matola, é a criação de um espaço de diálogo entre o Governo e o empresariado, no qual o setor empresarial , sobretudo as grandes empresas, possam ser responsabilizadas pela criação de infra-estruturas necessárias como suporte ao desenvolvimento, a exemplo de estradas e outras capazes de facilitar a provisão do serviço público.

O antigo mayor da província sul africana de Mphumalanga, Mathews Phosa, atual presidente do Maputo Corridor Ligistics Initiative (MCLI) falou dos desafios da integração regional rumo ao desenvolvimento de negócios, tendo chamado à atenção sobre a viabilidade das parcerias entre as pequenas e médias empresas, sublinhando o papel que o corredor de Maputo pode jogar no desenvolvimento dos negócios na região.

Também ligado ao ambiente de negócios, o presidente do CTA, Salimo Abdula, fez uma incursão ao papel do setor empresarial nacional no desenvolvimento, tendo ressalvado a necessidade de avançar com um debate sobre os critérios de acesso à terra urbana nas atuais condições de economia de mercado, sublinhando que a terra urbana está cada vez mais a valorizar-se, razão por que os Municípios se devem começar a preocupar em capitalizá-la como fonte de receitas.

O Fórum empresarial de Matola é um espaço de debate criado no quadro da governação aberta e participativa daquele município, que segundo a ótica de seu presidente, é agora uma plataforma que se pretende dinamizadora do diálogo nacional sobre a perspetiva de desenvolvimento econômico de Matola.

Cerca de três centenas de empresárioa nacionais e estrangeiros participaram no evento, ao qual estiveram igualmente presentes a governadora da província de Maputo, Maria Elias Jonas, académicos, investigadores, políticos e representantes de organizações da sociedade civil.

Fonte: Adaptação Club of Mozambique