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A África no Brasil

4 de janeiro de 2011

Sabe um lugar onde as pessoas falam português, onde tudo não é exatamente como deveria ser, nem todas as ruas primam pela arrumação e pela limpeza, o caos urbano convive diariamente com os cidadãos, as praias são lindas, as temperaturas bem altas e o povo caloroso? Pensou no Brasil? Pode ser, mas, na verdade, estamos falando de Moçambique. Mais precisamente de Maputo, a capital, e das praias em suas imediações. O caloroso (e calorento) país africano é amplamente banhado pelo Oceano Índico. Maputo fica bem ao Sul, à beira-mar e a duas horas de carro da África do Sul ou da Suazilândia, seus vizinhos mais meridionais. A jovialidade de Moçambique, que completou 35 anos como nação independente de Portugal em junho deste ano, mostra que ainda há muita coisa a ser feita, principalmente em termos de infraestrutura. Mas, com um pouco de desprendimento e tendo a noção de que ali não é a Europa nem os Estados Unidos, o viajante tem tudo para curtir bastante a variedade natural e cultural presente neste cantinho do Sudeste africano.

Quatro faces de Maputo

Incrustada na baía que também dá nome à cidade, a área turística de Maputo se divide em quatro: na baixa, perto do mar, estão a Praça da Independência, o porto, o forte e o mercado municipal. Na parte alta (Sommerschield) há restaurantes e bares sofisticados, alguns hotéis e embaixadas. Por fim, alguns quilômetros ao Norte, estão a Costa do Sol e o Bairro Triunfo. Em ambos os lugares, os dias são de praia e as noites de balada forte, que misturam moradores e gringos.

À exceção da Costa do Sol, que fica um pouco mais distante do Centro da cidade, dá para percorrer Maputo a pé tranquilamente. De dia não há muito problema de segurança, observadas as condições de não bancar o turista desleixado – aquele sujeito que sai andando em ruas ermas com roupas superchamativas, relógio de ouro no punho e uma câmera com lente teleobjetiva escancarada. À noite, se as calçadas estiverem movimentadas, também dá para andar, embora seja mais prudente – e bem barato – pegar um táxi.

O camarada mais descolado também tem a opção de utilizar os chapas, minivans usadas para transporte dos locais. Algumas mostram o destino no vidro dianteiro. Se não tiver nada escrito, basta perguntar para o condutor. Lembre-se: todo mundo ali fala português, mais claro até que os lusitanos.

Desfiles Em Maputo, há alguns lugares que realmente merecem visita. Na parte baixa da cidade está o Museu Nacional de Arte, que tem uma interessante coleção de pinturas e esculturas de artistas contemporâneos locais. Dois quarteirões à direita fica a Praça da Independência, onde estão a prefeitura e a Catedral Nossa Senhora da Conceição. É nesse local que festividades nacionais, como a de independência do país, são comemoradas. Se você der sorte de estar por lá em algum dos feriados, vai poder assistir de perto aos desfiles de crianças, estudantes, militares e à toda a farra de bandas, cantos patrióticos e fogos de artifício que acompanham eventos do porte.

Um pouco mais abaixo, seguindo a Avenida Samora Machel, está o Forte de Maputo. A edificação foi erguida pelos portugueses na metade do século 19, sobre os escombros de um outro forte, mais antigo. Dentro da atual construção estão um jardim e um pequeno museu, um pouco abandonado, com histórias de guerras no período colonial. Se for possível, deixe para ir à região num sábado de manhã, pois nesse dia os moradores montam barracas para vender seus artesanatos e especiarias no mercadinho de rua.

Refresco Ainda na baixa, no cruzamento entre as avenidas 25 de Setembro e Felipe Samuel Magaia está o Mercado Municipal de Maputo. Um verdadeiro caos que em nada difere dos grandes mercados de rua encontrados nas metrópoles brasileiras: peixes, farinhas, frutas, carnes, condimentos de todos os tipos e pequenos utensílios a preços ridiculamente baratos podem ser encontrados ali. Vale como experiência antropológica.

Quando se cansar de caminhar pela parte baixa de Maputo, a dica é se refrescar no Maputo Shopping Center. Ou mesmo dar uma caminhada no calçadão na frente do mar, nas imediações do porto, de onde se pegam barcos para Catembe (uma cidade do outro lado da Baía de Maputo, mais tranquila e com belas vistas para o Oceano Índico).

A viagem é feita diariamente e em diversos horários; basta comprar a passagem lá mesmo. Dessa região também saem embarcações para a Ilha de Inhaca, importante centro de pesquisa marítima e popular destino de fim de semana para os moçambicanos – onde o grupo português Pestana ergueu um resort.

Sabores e diversão a gosto

Comer em Maputo é relativamente barato. Por ser uma cidade litorânea, a grande atração são os frutos do mar: camarões, ostras e peixes, principalmente. Há vários bons restaurantes na parte alta da cidade, a maioria deles situada na Avenida Julius Nyerere, onde também ficam alguns bons pubs.

Gerenciado por um português, o Mundo’s é o mais famoso e arrumado da região. Com fartos pratos e ocupando uma área enorme, o estabelecimento tem parquinho para criança, cibercafé, pista de dança, telões e muitas mesas e bancos para receber os clientes. Dá para comer de tudo: burritos, sanduíches, pizzas, carnes, petiscos. Os preços são bem razoáveis, o equivalente a R$ 20, no máximo. Atente para as jarras de cerveja, sempre muito fartas. Um pouco mais abaixo, na mesma rua, está o Pirata’s, restaurante, claro, especializado em peixes e tudo quanto é tipo de bicho que nada.

Se a onda é curtir uma balada mais forte, não há escapatória: pegue um táxi e vá para a região da Costa do Sol, ao norte da cidade. Uma ao lado da outra, as melhores casas noturnas de Maputo, como a Coconuts Live, ficam nessa região. Nada muito diferente do que se vê por aqui: músicas da moda, tipo bate-estaca e pop. Na época da Copa do Mundo, por exemplo, a canção tema da competição, cantada por Shakira, era repetida pelo menos uma meia dúzia de vezes numa mesma noite. A área é o ponto de encontro de moçambicanos, portugueses (há vários por lá) e também de turistas e mochileiros de passagem pela cidade.

As praias de Moçambique estão entre as mais belas da costa Leste africana. Macaneta, a menos de uma hora de Maputo, é limpa, vazia e bem agradável. Se Maputo lembra um pouco as cidades grandes do Nordeste brasileiro, os vilarejos da costa moçambicana nos arredores da capital são praticamente clones das pequenas praias de Pernambuco, Bahia e imediações. Cerca de 35 quilômetros ao Norte da metrópole está a vila colonial de Marracuene, porta de entrada para a simpática e agradável Praia de Macaneta.

Biodiversidade em mar e terra

Um passeio bacana que dá para fazer saindo de Maputo é a Praia de Ponta D’Ouro, 120 quilômetros ao Sul da capital. Situado na fronteira Sul de Moçambique com a África do Sul, o local, repleto de dunas, é também um santuário marinho, onde é fácil observar tubarões, golfinhos e até mesmo baleias entre julho e outubro. No meio do caminho entre a capital e o balneário está a Reserva Especial de Maputo, criada em 1969 para proteger a população local de elefantes e tartarugas. Estimativas apontam que existem no local, hoje, não mais do que 180 mamíferos trombudos.

Praia de Macaneta

Fonte: Adaptação Jornal Estado de Minas – http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_36/2010/12/28/interna_noticia,id_sessao=36&id_noticia=163945/interna_noticia.shtml